investimentos antes do ano acabar
INVESTIMENTOS
Cenário Doméstico e Internacional | Julho 2026
Em junho, a pauta geopolítica seguiu ditando o humor dos mercados e criando novos pontos de atenção para os investidores.
Conflito no Oriente Médio permanece indefinido
Enquanto na primeira semana do mês, prevaleceram relatos de violações do cessar-fogo entre Israel e Líbano, em meio ao conflito que completou 100 dias em 7 de junho, o anúncio de um memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã, composto por 14 pontos, trouxe alívio aos mercados na segunda quinzena do mês.

Segundo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o entendimento incluiria o compromisso de o Irã não desenvolver armas nucleares, além da reabertura do Estreito de Ormuz sem a cobrança de pedágio.

Apesar de o cronograma inicialmente previsto não ter sido cumprido, o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, confirmou, no dia 17, que os líderes dos Estados Unidos e do Irã haviam assinado digitalmente o memorando de entendimento com o objetivo de encerrar o conflito no Oriente Médio. 
A informação também foi confirmada pela Casa Branca e pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã.
Com isso, a expectativa voltou-se para a cerimônia oficial de assinatura do acordo, prevista para o dia 19, em Genebra, na Suíça. A cerimônia, porém, acabou sendo cancelada. 

Na véspera, a Casa Branca anunciou o adiamento da viagem do vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, à Suíça, enquanto o Irã informou que também não enviaria uma delegação para as negociações, em meio a novos relatos de ofensivas israelenses no sul do Líbano. 

Diante de sucessivos sinais de violação do cessar-fogo e de informações conflitantes sobre a situação no Estreito de Ormuz, os investidores globais passaram a dar o benefício da dúvida, na expectativa de que novas rodadas de negociação entre Irã e Estados Unidos pudessem, ao menos, pôr fim às disrupções logísticas na região.
Reflexos no petróleo e nas Bolsas
Somente em junho, a cotação do petróleo tipo Brent recuou 20%, devolvendo praticamente todos os ganhos acumulados desde o início do conflito no Oriente Médio.
As bolsas dos Estados Unidos registraram sinais divergentes: enquanto o Dow Jones avançou 2,5%, S&P 500 e Nasdaq recuaram 1,1% e 2,8%, respectivamente.
Na Europa, a média entre FTSE, CAC e DAX registrou alta de 1%, enquanto os índices Nikkei (Japão) e Shanghai (China) avançaram 5,6% e 0,6%, respectivamente. 

O grande destaque, porém, foi o índice Kospi (Coreia do Sul), que apesar de ter fechado próximo da estabilidade em junho, acumulou alta de 101% no primeiro semestre de 2026, impulsionado principalmente por duas empresas do setor de tecnologia.

A SK Hynix, uma das maiores fabricantes de memória do mundo, que assumiu o posto de empresa mais valiosa do país em junho, e a Samsung, cuja atuação está concentrada principalmente em semicondutores, smartphones e televisores.
Ibovespa estável em junho
No Brasil, após o Ibovespa atingir o patamar de 168 mil pontos em 18 de junho, em meio à deterioração do sentimento dos investidores, aliada à migração de recursos de mercados emergentes para a Ásia, a bolsa brasileira recuperou parte das perdas na segunda quinzena do mês e encerrou junho ao redor dos 172 mil pontos, praticamente estável em relação ao mês anterior. 
O investidor estrangeiro manteve o fluxo vendedor observado em maio, acumulando saídas líquidas de R$ 8,1 bilhões até 29 de junho.
Além do cenário internacional, pesaram também questões domésticas para a relativa fraqueza do mercado local, como: 
Propostas em tramitação no Congresso Nacional com impacto fiscal: entre elas, projetos relacionados à renegociação da dívida rural e à criação de pisos salariais para diversas categorias. Segundo nota conjunta dos Ministérios da Fazenda e do Planejamento e Orçamento, as nove proposições atualmente em tramitação representam, em conjunto, um impacto fiscal estimado em R$111 bilhões por ano.

Perspectiva de uma taxa Selic terminal mais elevada do que a anteriormente projetada: o último Boletim Focus, publicado em 29 de junho, projeta taxa de 14,00% ao fim de 2026.

Novas pesquisas de intenção de voto: passaram a indicar um quadro eleitoral menos dividido, na visão dos investidores.
Fed não altera os juros
No campo da política monetária, o FOMC manteve nos EUA os Fed Funds na faixa de 3,50%-3,75%, em decisão unânime, embora o tom da reunião tenha sido interpretado pelo mercado como mais hawkish

O gráfico de pontos (dot plot) evidenciou uma divisão relevante dentro do Comitê, com oito dirigentes projetando cortes de juros em 2027, enquanto outros oito veem espaço para novas elevações. 

Além disso, houve uma mudança importante em relação às projeções divulgadas em março: agora, nove dos 19 membros projetam pelo menos uma alta de juros até o fim de 2026, ante nenhum anteriormente. 
Diante desse cenário, o consenso de mercado passou a revisar para cima as expectativas para a trajetória dos Fed Funds.
No Santander, nosso time Macro Internacional também revisou sua projeção e passou a esperar duas altas de 25 bps em 2026, nas reuniões de setembro e dezembro, levando a uma taxa terminal de 4,00%- 4,25% ao ano.
Copom reduz Selic pela 3ª vez seguida
Aqui no Brasil, o Copom reduziu a taxa Selic em 25 bps, para 14,25%, em decisão unânime, marcando o terceiro corte consecutivo do ciclo de afrouxamento monetário.

Apesar da redução dos juros, o comunicado manteve tom cauteloso, destacando que o cenário continua marcado por expectativas de inflação desancoradas e estendendo o horizonte de convergência da inflação para a meta de 3% do fim de 2027 para o primeiro trimestre de 2028. 
O Comitê também revisou para cima suas projeções de inflação, elevando a estimativa para o IPCA de 2026 de 4,6% para 5,2% e a de 2027 de 3,5% para 3,7%. 
A ata, divulgada na semana subsequente à decisão, reafirmou que a magnitude do ciclo de calibração da Selic será ajustada à luz da evolução do cenário, de forma a assegurar a convergência da inflação à meta. 

Por ora, os investidores seguem divididos para a próxima reunião do Copom (05/08) entre estabilidade e um último corte de 25 bps na taxa Selic, o que reforça, de toda forma, que o ciclo de afrouxamento monetário atual está próximo de uma pausa.
Juros restritivos ao redor do mundo
Ao redor do mundo, o viés também foi de aperto monetário – ou, ao menos, de manutenção dos juros em patamares elevados por mais tempo (higher for longer). 

O Banco Central Europeu (BCE) e o Banco do Japão (BoJ) elevaram suas taxas em 25 bps, para 2,25% e 1,00% (o maior nível em três décadas), respectivamente. 

Na contramão, o Banco da Inglaterra (BoE) optou por manter os juros em 3,75%, embora a decisão tenha sido dividida entre os membros do Comitê de Política Monetária. 
Além da política monetária, o Reino Unido também esteve no centro das atenções por questões políticas.
No dia 22, o primeiro-ministro Keir Starmer anunciou sua renúncia ao cargo. Com sua saída, ele deixa tanto o governo quanto o comando do partido Trabalhista. 

A mudança marca mais um capítulo da instabilidade política britânica: o Reino Unido passará a ter seu sétimo chefe de governo em dez anos.
Pauta política e corporativa
Em julho, o Congresso Nacional entra em recesso por duas semanas, reduzindo a intensidade da agenda política em Brasília. 

Além disso, as próximas reuniões de política monetária do Federal Reserve e do Banco Central do Brasil ocorrerão apenas no início de agosto. 

Nesse contexto, o acompanhamento dos indicadores macroeconômicos – especialmente inflação, mercado de trabalho e atividade econômica – será essencial para calibrar as expectativas do mercado. 

Por fim, no campo corporativo, a temporada de resultados do 2T26 terá início no fim do mês, enquanto, no mercado de ações, os desdobramentos relacionados ao setor de tecnologia/IA seguirão no radar dos investidores.
Como pano de fundo, a agenda geopolítica continuará sendo um importante vetor para os mercados globais.
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