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INVESTIMENTOS
Ações e empresas de tecnologia sustentam a alta dos mercados?
Nos últimos meses, os mercados globais têm renovado máximas e recuperado fôlego. Em muitos casos, o protagonismo tem sido das empresas de tecnologia.
Gigantes do setor concentram grande parte dos ganhos dos principais índices, levantando uma pergunta central para qualquer investidor: essa alta é saudável e bem distribuída ou depende demais de poucas ações?

Entender se as ações de tecnologia estão, de fato, sustentando o movimento de alta é essencial para avaliar riscos, oportunidades e o momento do mercado

Neste conteúdo, vamos analisar o peso dessas empresas nos índices, os fatores que explicam seu desempenho recente e o que isso significa, na prática, para decisões de investimento de curto e longo prazo.
Nasdaq bate recorde: Bolsa de tecnologia dos EUA em alta
A Bolsa de Valores Nasdaq, nos Estados Unidos, é conhecida por ser o berço de empresas de tecnologia e de crescimento e inovação.

O Nasdaq Composite (IXIC) é um dos principais índices das ações do país e do mundo, muito influenciado por tecnologia e empresas de crescimento (software, semicondutores, internet e serviços digitais).
Já o Nasdaq-100 (NDX) é um índice que lista as 100 maiores empresas não financeiras, listadas na Bolsa Nasdaq.
Logo, ambos são frequentemente vistos como termômetros do desempenho das empresas de IA, software, internet e biotecnologia, incluindo gigantes como Nvidia, Apple, Microsoft e Google.

Nos últimos anos, o mercado de tecnologia dos EUA viveu um ciclo de forte expansão, impulsionado sobretudo pela maturidade da Inteligência Artificial (IA) e pela resiliência da economia americana, que atraiu capital e elevou expectativas de lucros futuros.

Confira, nos números a seguir, como os índices Nasdaq superaram o S&P 500 e o Dow Jones:
2023
  • Nasdaq Composite (IXIC): +43,42%
  • Nasdaq-100 (NDX): +53,81%
  • S&P 500: +24,23%
  • Dow Jones: +13,70%
  • Principais drivers: recuperação pós-2022 e início do rali de IA.
2024
  • Nasdaq Composite (IXIC): +28,64%
  • Nasdaq-100 (NDX): +24,88%
  • S&P 500: +23,31%
  • Dow Jones: +12,88%
  • Principais drivers: consolidação das "Magnificent Seven" e queda na inflação nos EUA.
2025
  • Nasdaq Composite (IXIC): +20,36%
  • Nasdaq-100 (NDX): +20,17%
  • S&P 500: +16,39%
  • Dow Jones: +12,97%
  • Principais drivers: expansão da infraestrutura de IA e lucros corporativos recordes.
Nos últimos 20 anos, o índice Nasdaq Composite encerrou o ano no campo negativo em apenas 4 ocasiões: 2008, 2011, 2018 e 2022.
Com isso, o índice segue renovando máximas históricas, consolidando novos recordes. Observe:
⚠️ Importante: resultados passados não garantem retornos futuros e não devem ser usados como única base para decisões, pois o risco de perdas financeiras é real e não deve ser desconsiderado ao investir, especialmente em Renda Variável, que é mais arriscada e somente indicada para perfis mais arrojados.
De olho na Inteligência Artificial
O mercado de ações de empresas voltadas à Inteligência Artificial (IA) está em fase de transição da "euforia teórica" para a "entrega de resultados".
Isso quer dizer que os Analistas e investidores visam agora medir o "ROI de IA" (retorno gerado por um investimento em relação ao seu custo). 
A questão é se os índices, agora, premiam menos o "anúncio de novas ferramentas" e mais as empresas que apresentam crescimento de margem e lucro líquido provenientes diretamente de produtos com IA.

Enquanto 2023 e 2024 foram anos de crescimento generalizado, 2025 em diante parece premiar as empresas que conseguiram converter tecnologia em receita líquida e infraestrutura real.

Abaixo, vemos alguns dados de valorização de empresas-chave do setor no mercado estadunidense, com base no fechamento de 2025:
  • Lumentum Holdings: com uma valorização de +339%, é líder em equipamentos ópticos essenciais para data centers de Inteligência Artificial.
  • Micron Technology: apresentou uma valorização de +239% e é uma fabricante crucial de memórias (HBM3E), vitais para o hardware de IA.
  • Palantir Technologies: com +135% de valorização, sua plataforma AIP (Artificial Intelligence Platform) é adotada como padrão em grandes corporações americanas.
  • Intel: Valorizada em +84%, atua fortemente com processadores e soluções focadas no mercado de IA.
  • Advanced Micro Devices (AMD): com valorização de +77%, é a principal desafiante da Nvidia no setor de processadores de IA.
  • Broadcom: apresentou uma valorização de +49%, impulsionada pela forte demanda por seus aceleradores de IA customizados.
Além destas, existem diversos índices e ETFs (Fundos negociados em Bolsa) especializados que monitoram exclusivamente empresas de Inteligência Artificial. 

Diferente do Nasdaq Composite (que é amplo), esses índices e Fundos filtram apenas companhias que desenvolvem hardware, software ou serviços diretamente ligados ao ecossistema de IA.

Os principais são:
  • Nasdaq CTA Artificial Intelligence (NQINTEL): índice de enablers (facilitadores), engagers (envolvedores) e enhancers (aprimoradores) de IA. Performance em 2025: +23,6%.
  • Nasdaq CTA AI & Robotics (NQROBOT): índice para acompanhar companhias de intersecção entre IA e robótica industrial. Valorização em 2025: +15,9%.
  • Global X Artificial Intelligence & Technology (AIQ): ETF que investe em empresas de tecnologia que se beneficiam do desenvolvimento e uso da inteligência artificial (IA) em produtos e serviços. Desempenho em 2025: 31,6%.
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A IA pode ser uma bolha?
Por outro lado, o debate sobre uma possível "bolha da IA" atingiu seu ápice nos últimos meses.
Analistas e economistas estão divididos entre os que veem uma revolução industrial legítima e os que enxergam paralelos perigosos com a bolha das "pontocom" de 2000.
Isso tem alguns motivos, tais como:
Descompasso entre investimento (CapEx) e Retorno (ROI)
O principal motor do mercado é o grande investimento das empresas de tecnologia em infraestrutura de IA (chips e data centers), com previsão de gastos de mais de US$ 650 bilhões apenas neste ano.

No entanto, há um problema: o alto custo de construção da IA é imediato, mas a receita direta gerada por esses produtos pode ainda não acompanhar esse ritmo.
O fenômeno do "financiamento circular"
Críticos e avaliações alertam para uma possível "inflação artificial de receitas" no setor de tecnologia, onde grandes empresas investem em startups de inteligência artificial (IA) e estas, por sua vez, usam o capital para adquirir serviços de nuvem e chips das próprias investidoras. 

Essa dinâmica faz com que o dinheiro circule internamente, inflando os balanços contábeis sem que haja, necessariamente, um cliente final (consumidor) pagando pelo serviço.
Avaliações (valuations) esticadas
A relação Preço/Lucro (P/L) das empresas líderes de IA atingiu níveis que lembram os picos históricos de euforia. Em outras palavras, os receios são de que as companhias estejam sobrevalorizadas. 

A Apollo Global Management, por meio de seu economista-chefe, alertou recentemente que as 10 maiores empresas do S&P 500 estão com múltiplos de lucro superiores aos vistos no ano de 1999, pouco antes do colapso da Nasdaq em 2000.
O "vale da desilusão" (ciclo do hype)
O mercado financeiro discute se a IA entrou no que a consultoria Gartner chama de "Vale da Desilusão".

Após o encantamento inicial com ferramentas como o ChatGPT e ferramentas similares, as empresas agora enfrentam as dificuldades reais: altos custos de energia, alucinações dos modelos e questões regulatórias.
O auge das Magnificent Seven (Sete Magníficas)
Nesta discussão, o termo Magnificent Seven (Sete Magníficas), composto por Alphabet, Amazon, Apple, Meta, Microsoft, Nvidia e Tesla, dominou a narrativa do mercado tecnológico global nos últimos anos. 

Por exemplo, empresas como Nvidia e Tesla tiveram retornos astronomicamente altos em termos de valorização de longo prazo, impulsionados pela adoção de tecnologias como inteligência artificial e veículos elétricos.
Todas essas companhias superaram a marca de US$ 1 trilhão em valor de mercado.
Empresa
2023
2024
2025
Valor de mercado  (Abr/2026)*
Nvidia
+238,87%
+171,17%
+38,88%
US$ 4,78 trilhões
Empresa
+58,32%
+35,51%
+65,35%
US$ 4,01 trilhões
Empresa
+48,18%
+30,07%
+8,56%
US$ 3,08 trilhões
Empresa
+56,80%
+12,09%
+14,74%
US$ 2,92 trilhões
Empresa
+80,88%
+44,39%
+5,21%
US$ 2,24 trilhões
Empresa
+194,13%
+65,42%
+12,74%
US$ 1,68 trilhão
Empresa
+101,72%
+62,52%
+11,36%
US$ 1,37 trilhão
Fonte: TradingView - *Valor em 15/04/2026
A Nvidia encerrou 2025 e iniciou 2026 como a empresa mais valiosa do mundo, sustentada pela demanda recorde de chips, superando gigantes como Microsoft e Apple.

Esse crescimento fez com que o grupo também representasse uma parte gigantesca da capitalização de mercado, chegando a responder por mais de um terço do S&P 500 e exercendo enorme influência sobre a direção dos mercados. 

Contudo, em 2025, como abordamos anteriormente, o mercado parou de comprar o "pacote fechado" das Magníficas. A valorização também buscou empresas com monetização clara de Inteligência Artificial e infraestrutura de nuvem.
Os investidores estão mais seletivos, escolhendo empresas dentro do grupo com fundamentos mais fortes.
Não há mais uma tendência de valorização uniforme, pois algumas companhias enfrentam desempenho mais desafiador, apesar de ainda serem gigantes de mercado. 

Por fim, a volatilidade e divergência de retornos em 2025 e início de 2026 mostram que o mercado está reavaliando expectativas de lucros e custos futuros, especialmente diante de grandes investimentos em tecnologia.
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A Nasdaq lidera o desempenho das Bolsas nos últimos anos, impulsionada pelo otimismo em tecnologia e IA. Contudo, como aplicação sensível a expectativas, pode haver ajustes e oscilações conforme o mercado reavalia lucros e condições econômicas.
Como investidores, o cenário atual nos mostra que a tendência de longo prazo permanece positiva, impulsionada pelo setor de tecnologia e crescimento.
No entanto, é indispensável manter a atenção, pois a persistência da volatilidade, especialmente nos primeiros meses de 2026, serve como um lembrete de que movimentos fortes no mercado podem gerar correções no curto prazo.

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Importante: O material apresentado não é um relatório de análise de valores mobiliários conforme Resolução CVM nº 20. Os investimentos e ativos mencionados neste material não constituem garantia de ganhos, recomendação de compra e não refletem diretamente a opinião dos nossos Analistas. Para orientação adequada, consulte um Assessor de Investimentos autorizado. O Santander não se responsabiliza por decisões de investimento tomadas com base neste conteúdo, nem por quaisquer prejuízos, diretos ou indiretos, resultantes do uso indevido deste material.Os instrumentos financeiros discutidos neste material podem não ser adequados para todos os investidores. Este material não leva em consideração os objetivos de investimento, situação financeira ou necessidades específicas de qualquer investidor. Qualquer informação contemplada neste material deve ser confirmada quanto às suas condições, antes da conclusão de qualquer negócio. Os investidores devem obter orientação financeira independente, com base em suas características pessoais, antes de tomar uma decisão de investimento.
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